Está na altura de nos focarmos no CBD, o segundo canabinoide mais abundante na marijuana. Apesar de ser menos conhecido, o CBD pode ter um impacto significativo no bem-estar. Continue a ler para saber tudo o que precisa sobre este composto importante.
O seu guia definitivo sobre o CBD, o canabinoide menos conhecido com um impacto significativo.
Dê uma vista de olhos aprofundada à espécie canábis sativa e verá uma coleção rica e diversa de compostos químicos. Alguns destes compostos são-nos bastante familiares, tais como o icónico e incitador de mocas THC. Mas também temos de considerar o canabinoide menos conhecido, o CBD. Porquê? Porque o CBD tem várias qualidades que o THC simplesmente não consegue igualar.
O que é o CBD?
Tanto o CBD como o THC pertencem a uma vasta família de compostos (estimando-se que sejam cerca de 113 no total), com cada canabinoide a interagir de forma ligeiramente diferente com o corpo humano. Embora o nosso conhecimento seja limitado no que diz respeito a outros canabinoides, estamos a aprender lentamente mais sobre o segundo mais abundante e o foco deste artigo — o canabidiol (CBD).
O CBD é como um irmão ou irmã do THC, mas não partilha as propriedades psicoativas deste último. Por outras palavras, o CBD não induz uma moca como o THC. Ao invés, influencia o nosso corpo em dezenas de outras formas, muitas das quais poderão beneficiar potencialmente o nosso bem-estar. Os dois compostos partilham, contudo, uma similaridade.
O CBD provém do Cânhamo ou da Canábis?
Embora a resposta seja tecnicamente ambos, as concentrações mais elevadas de CBD provêm do cânhamo, uma subespécie da canábis sativa utilizada preferencialmente pelas indústrias comerciais. Graças à produção moderna, além de um toque de seleção natural, o cânhamo tem uma estrutura química rica em CBD e fraca em THC.
Além disso, embora o cânhamo seja a planta de eleição quando se trata de produtos destinados ao consumidor, tais como o óleo CBD, a canábis não fica inteiramente fora do enquadramento. Terá apenas de optar pelas variedades produzidas especificamente pelo seu conteúdo de CBD.
De facto, é a sede da indústria de canábis pelas estirpes ricas que tem espoletado uma certa revolução, particularmente nos últimos vinte anos. As estirpes ricas estão a tornar-se finalmente numa realidade comum, sendo o resultado direto de produtores diligentes e da sua manipulação das estirpes com fenótipos onde o CBD predomina.
Para os cultivadores domésticos, não há qualquer necessidade de se preocuparem em cruzar estirpes de canábis, ou em clonarem as plantas progenitoras ricas em CBD, muito pelo contrário, dado que os bancos de sementes oferecem uma escolha diversificada.
Mas, tal como iremos ver, a criação de estirpes predominantes não é tão simples como parece. No que diz respeito à canábis, tudo se resume à genética. É a genética de uma planta que dita quanto tempo esta demora a florir, além da sua resistência às doenças. Esta genética também controla os canabinoides e terpenos contidos na planta.
A importância da genética
Durante as primeiras fases de desenvolvimento de uma planta, o rácio de canabinoides é determinado pela biossíntese do percursor canabinoide CBGA com uma seleção de enzimas. No entanto, este não pode ligar-se com as três e, dependendo daquela a que o CBGA se liga, este pode transformar-se numa estirpe com predominância de CBD ou de THC (ou uma mistura de ambos).
Todavia, conforme destacámos, as plantas de canábis são estritamente controladas pela sua genética. Desta forma, assim que a natureza tiver terminado o trabalho árduo por si, é possível cruzar estirpes similares, ou clonar uma planta progenitora, aperfeiçoando a concentração em cada iteração.
Com o passar dos anos, os produtores trabalharam para aperfeiçoar o processo destacado supra, selecionando estirpes que exibem os fenótipos corretos. Como é óbvio, ainda há uma quantidade incrível de experimentação a decorrer, mas o número de estirpes de canábis com predominância já tem vindo a aumentar drasticamente. É também através da manipulação de vários fenótipos de CBD que os produtores conseguem alterar o rácio de canabinoides contido na canábis, um assunto que iremos analisar mais detalhadamente daqui a pouco.
Porém, controlar o nível é apenas uma das peças do puzzle. Para compreender o motivo pelo qual este canabinoide merece a sua atenção, também temos de saber como é que interage com o corpo.
Como Funciona o CBD?
Todos os canabinoides funcionam através de uma interação única com o nosso sistema endocanabinoide (SE). Esta vasta rede de recetores existe dentro de cada um de nós e é responsável por manter um estado de equilíbrio. Quando os nossos sistemas biológicos estão equilibrados, o nosso corpo está melhor equipado para lidar com doenças, perturbações e demais desafios da vida moderna.
Para ativarem o SE, os canabinoides ligam-se aos recetores canabinoides (divididos em CB1 e CB2) localizados nas células um pouco por todo o nosso corpo.
Estes recetores atuam como proteínas zeladoras embebidas nas células que direcionam os sinais químicos, dizendo-lhes o que fazer e quando fazê-lo. Contudo, eles não atuam livremente. A ação que os recetores CB assumem depende da sua localização no corpo e do canabinoide com o qual estão a interagir.
Os recetores são específicos quando se trata dos canabinoides com os quais se ligam. O mecanismo é como uma fechadura e chave — os recetores só se ativam se detetarem um canabinoide com a forma correta que corresponda à sua fechadura. É através destes pontos de acesso que os canabinoides conseguem influenciar o corpo de várias formas.
A maioria dos recetores CB1 encontra-se no cérebro, sistema digestivo e sistema nervoso central, enquanto os recetores CB2 são prevalecentes no nosso sistema imunitário. O THC, por exemplo, ativa os recetores CB1 responsáveis por equilibrarem o humor e a motivação, daí a moca eufórica. O CBD, por outro lado, tem uma abordagem menos direta, conforme iremos ver.
CBD e o Sistema Endocanabinoide
Embora tenhamos dito que todos os canabinoides interagem com o corpo humano através de um mecanismo semelhante a uma fechadura e chave, a interação é um pouco mais complicada.
O canabidiol não tem grande afinidade vinculativa com nenhum dos dois recetores canabinoides conhecidos. Ao invés, este exerce a sua influência apoiando todo o SE, melhorando a forma de operar do sistema e regulando a produção de enzimas benéficas.
Crê-se que tem um efeito supressivo na enzima FAAH (hidrolase da amida de ácidos gordos) que é uma molécula responsável por decompor e destruir a anandamida (AEA).
Esta reação supressiva com o CBD significa que permanecerá mais anandamida no seu sistema, e também por períodos de tempo prolongados. Isto é importante porque a AEA é um químico produzido internamente que exerce uma influência positiva na alimentação, sono, alívio da dor, entre outros.
Contudo, embora o CBD não se ligue aos recetores CB1 ou CB2, isso não significa que ignora o mecanismo fechadura e chave que destacámos anteriormente. Há uma série de recetores de proteína G localizados nos sistemas nervoso central e periférico que interagem com o CBD. Também há o TRPV-1 (recetor de potencial transitório da subfamília V-1) que reage ao CBD. O recetor TRPV-1 é conhecido por mediar a perceção da dor, inflamação e temperatura corporal, mas o potencial desta interação permanece sob investigação.
O Efeito Entourage
Até aqui, já cobrimos como os canabinoides exercem a sua influência e como o CBD tem uma abordagem ligeiramente diferente através do seu impacto nas enzimas e recetores nicho. Aquilo que ainda não abordamos, contudo, é a sua colaboração.
Embora o THC e o CBD apresentem efeitos e métodos de interação muito diferentes, há uma característica que estes partilham. Quando trabalham em conjunto, as suas respetivas capacidades são reforçadas. De facto, o efeito entourage é um fenómeno que, teoricamente, se aplica a todos os canabinoides, terpenos e flavonoides.
É por este motivo que produtos como o óleo CBD de espetro integral se tornaram tão populares. Embora o CBD funcione bem por si só, muitos creem que este só atinge o seu verdadeiro potencial quando o THC e outros canabinoides/terpenos/flavonoides também se encontram presentes. Afinal de contas, porque outro motivo é que todos estes compostos estariam juntos na mesma planta?
Proporção CBD:THC
A interação entre o CBD e o THC é um fenómeno que captou a atenção tanto dos produtores como dos amantes da canábis. Porquê? Porque é possível alterar a sua moca ajustando o rácio de CBD e THC que está a ingerir, tirando partindo dos benefícios de ambos os canabinoides.
Talvez queira uma estirpe que possa fumar ao longo do dia e que não diminua a produtividade ou a motivação. Graças aos avanços na manipulação genética da canábis, é inteiramente possível encontrar aquela flor ideal. Para aqueles que têm muito que fazer, as estirpes que apresentam altos níveis de CBD e níveis mínimos de THC (25:1) serão a escolha ideal. Ainda irá tirar partido das vantagens do efeito entourage, mas a experiência encontra-se privada de quaisquer efeitos secundários psicotrópicos.
No entanto, continue a manipular o rácio de CBD e THC, e pode explorar todo um outro conjunto de efeitos. Um rácio 8:1 ou 2:1, naturalmente, proporcionará uma dose muito mais forte de THC. Acabará por sentir os efeitos eufóricos e haverá algumas sensações psicotrópicas, mas sendo o CBD a força predominante, este ajudará a equilibrar a moca geral.
Finalmente, existem estirpes de canábis com proporções iguais de CBD e THC. Embora recomendemos estas para aqueles bem versados nos efeitos do THC, esta é a combinação suprema de dois canabinoides com uma poderosa influência no SE. Ao consumir ambos em quantidades iguais, o seu bem-estar também beneficia em igual medida — tem tudo a ver com equilibrar o rácio de CBD e THC segundo as suas necessidades.
A Royal Queen Seeds tem uma gama exclusiva de sementes de canábis CBD, cada uma especificamente produzida para conter níveis de CBD muito acima dos habituais, assim como as que contêm um rácio equilibrado de THC e CBD. A Tatanka Pure CBD, por exemplo, tem entre 9-14% de CBD, muito mais do que a estirpe de canábis típica. Com várias estirpes feminizadas e autoflorescentes ricas em CBD por onde escolher, nunca foi tão fácil desfrutar do CBD em sua casa.
Quais são os Efeitos do CBD?
Com os alicerces do CBD estabelecidos, incluindo como funciona e de onde vem, podemos finalmente avançar para os efeitos que o canabidiol tem e a sua potencial influência.
Devido ao facto de encorajar todo o SE a funcionar mais eficientemente, o CBD tem o potencial de afetar dezenas de processos fisiológicos.
Antes de mais, uma clarificação: nada do abaixo descrito foi comprovado e há muito mais estudos que precisam de obter uma confirmação da hipótese apresentada. Não recomendamos, de todo, que utilize a canábis como um substituto dos seus medicamentos habituais. Na realidade, se já estiver a lidar com problemas de saúde, deve consultar o seu médico antes de experimentar quaisquer formas de canábis.
Sono
O sono é um processo vital que dá à sua mente, e ao seu corpo, a capacidade de recuperar das vivências do dia. Infelizmente, o sono também é uma das coisas que muitos humanos tendem a negligenciar, principalmente devido ao nosso acesso ao entretenimento e ao stress da nossa sociedade 24/7.
A investigação pré-clínica[1] inicial sugere que o CBD poderá ser uma ferramenta poderosa para alcançar uma noite de sono mais descansada. Embora o canabinoide não aparente atuar como um sedativo, crê-se que encoraja um ciclo sono/despertar saudável através de vários mecanismos. Apoiar o ritmo circadiano natural do nosso corpo pode não só ajudar-nos a adormecer mais rapidamente, como também mais profundamente.
Relaxamento
Infelizmente, a tensão e inquietude nunca estão muito distantes nas sociedades modernas dos dias de hoje. Ademais, para agravar ainda mais as coisas, a forma de lidar com a ansiedade não é direta — como e por que ocorre difere de pessoa para pessoa.
Contudo, uma das similaridades entre todas as instâncias de ansiedade é o papel dos recetores 5-HT e do neuroquímico serotonina. Apelidada de químico da felicidade, a serotonina tem um efeito direto sobre a ansiedade através da ativação destes recetores, sendo habitualmente libertada durante as atividades físicas, tais como o exercício ou o sexo.
Encorajadoramente, os investigadores descobriram que o CBD também interage com os recetores 5-HT, modulando a transmissão serotoninérgica. O Journal of the International Association for the Study of Pain[2] conduziu um estudo animal sobre a dor neuropática. Este concluiu que “o tratamento repetido com doses baixas de CBD reduz a ansiedade através da ativação do recetor 5-HT₁ₐ”, tendo acrescentado inclusive que estes resultados “apoiam a iniciação de estudos clínicos” para tratamentos à base de CBD.
Recuperação Muscular
Embora a inflamação seja frequentemente retratada sob uma perspetiva negativa, esta é um mecanismo crucial. Ela ajuda o nosso corpo a lidar com as infeções e a reparar os tecidos danificados. Esta última vantagem é especialmente importante não só para os atletas, mas também para qualquer um que queira permanecer saudável. O desenvolvimento de músculos mais fortes reduz o risco de lesões e ajuda a manter-nos ativos e de pé.
Contudo, para conseguirmos desenvolver uma resposta inflamatória saudável, primeiro precisamos de um sistema imunitário robusto. Mas, por mais bem que o nosso sistema imunitário faça, por vezes fica confuso, particularmente se estiver a trabalhar em sobrecarga para reparar os tecidos danificados. Isto pode levar a que o sistema imunitário ataque as células saudáveis ao invés das tóxicas, algo que não é nada bom quando está a tentar promover a recuperação muscular.
Felizmente, uma equipa que trabalha para a Cannabis and Cannabinoid Research[3] descobriu que o CBD pode ajudar a modular a nossa resposta imunitária, voltando a focar a atenção das células reguladoras. Por outras palavras, poderá manter o seu sistema imunitário e, acima de tudo, a sua recuperação, no caminho certo.
Contrariar o THC
Quando atua em conjunto com o THC, crê-se que o CBD negue alguma da ansiedade que o THC provoca. O CBD também aparenta influenciar os efeitos de excitação do THC, atrasando o início da moca e a duração da mesma.
Mais concretamente, um estudo com placebos aleatório publicado no Journal of Psychopharmacology[4] descobriu que a paranoia pós-THC foi reduzida no grupo que recebeu a dose oral de CBD. Uma combinação de CBD e THC poderá fornecer uma abordagem multifacetada ao bem-estar enquanto limita potenciais efeitos secundários.
Epilepsia
O impacto do CBD na epilepsia é talvez uma das áreas de estudo mais encorajadoras — mais concretamente na síndrome de Dravet e na síndrome de Lennox-Gastaut. Ambas são doenças graves que afetam principalmente as crianças, e as que são afetadas com os piores casos podem ter centenas de ataques convulsivos por dia.
Em 2018, a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA aprovou uma versão sintética do CBD, designada por Epidiolex. O medicamento está a comprovar ser altamente eficaz, melhorando significativamente a qualidade de vida das crianças que vivem com as síndromes de Dravet e Lennox-Gastaut.
Há, como é óbvio, diferenças entre uma versão purificada do CBD e a versão natural extraída do cânhamo. Todavia, o Journal of Epilepsy Research[5] concluiu que embora os dados sejam limitados, a evidência que suporta o tratamento dos ataques convulsivos com CBD foi encorajadora.
O CBD tem Algum Efeito Secundário?
Com uma lista tão longa de potenciais benefícios, o CBD quase aparenta ser demasiado bom para ser verdade — certamente que deverá haver alguns efeitos secundários com os quais nos devemos preocupar? Uma avaliação minuciosa[6] por parte da Organização Mundial de Saúde (OMS) fez exatamente a mesma pergunta, analisando aprofundadamente toda a investigação atual sobre o CBD.
Após analisar os dados disponíveis, a OMS afirmou o seguinte:
- O CBD é geralmente bem tolerado apresentando um bom perfil de segurança.
- Os efeitos adversos reportados podem ser o resultado de interações entre medicamentos.
A OMS também reportou alguns efeitos adversos do CBD. No entanto, até estes aparentam ser suaves, além de parecerem dissipar-se rapidamente.
Os possíveis efeitos secundários incluem:
- Fadiga
- Diarreia
- Boca seca
- Dores de estômago
- Tontura
É importante recordar que a maioria destes efeitos secundários foi registada em estudos onde a dose administrada foi significativamente superior à dos cenários do dia-a-dia. Dito isto, o CBD afeta todos de forma ligeiramente diferente, portanto, é importante começar com uma dose baixa até se acostumar com os seus efeitos.
Outro efeito secundário substancial destacado pela OMS foi a possível interação entre o CBD e medicamentos que estejam a ser utilizados em conjunto. As evidências sugerem que o CBD pode interferir com a decomposição de medicamentos específicos, devendo consultar o seu médico caso esta seja a sua situação. A interação pode não provocar quaisquer problemas, mas ninguém melhor que o seu médico para aconselhá-lo sobre o seu caso em particular.
O CBD é Psicotrópico?
Apesar das suas ligações com a espécie canábis sativa, o CBD não é psicotrópico, embora possa ser considerado psicoativo. A confusão sobre este tema deriva habitualmente da sua associação com o THC. Embora o CBD e o THC sejam ambos canabinoides, a forma como estes interagem com o corpo difere significativamente, já para não falar dos seus efeitos.
O THC produz uma moca devido à sua afinidade pelos recetores CB1 em partes do cérebro associadas ao humor e motivação. Esta interação única é o motivo pelo qual a canábis continua a ser ilegal na maioria dos países do mundo moderno. Por outro lado, o CBD não demonstra uma afinidade pelos mesmos recetores CB1. Ao invés, o CBD funciona em pano de fundo para apoiar todo o SE e não produz efeitos secundários psicotrópicos em virtude disso.
É Possível Desenvolver uma Tolerância ao CBD?
Outra pergunta comum é se a utilização repetida do CBD leva ao desenvolvimento duma tolerância, levando à necessidade de consumir quantidades cada vez maiores para sentirmos os mesmos efeitos.
Uma vez mais, para respondermos a esta pergunta, temos de citar os especialistas no assunto — a OMS. No âmbito da sua avaliação de 2018, a OMS também identificou que “o CBD não exibe quaisquer efeitos indicativos de quaisquer abusos ou potencial de dependência”, acrescentando que “não há qualquer evidência sobre a utilização recreativa do CBD ou quaisquer problemas relacionados com a saúde pública”. Ainda há uma escassez de estudos de longa-duração (a investigação sobre o CBD é relativamente imberbe), mas as evidências são encorajadoras.
Métodos de Consumo do CBD
O potencial do CBD aparenta ser vasto, mas não tão abrangente como a quantidade de produtos disponíveis. A escassez de toxicidade do CBD levou ao surgimento de uma ampla gama de opções, cada uma com as suas próprias vantagens e desvantagens.
Óleos CBD
Os óleos CBD colocados sobre ou sob a língua continuam a ser a forma mais popular de desfrutar do composto. Graças ao azeite e aos óleos de cânhamo e MCT que o transportam, as taxas de absorção são muito altas. O CBD é naturalmente hidrofóbico (repele a água), portanto, o corpo tem muita dificuldade em absorvê-lo sem a ajuda de um óleo transportador.
Engoli-lo não fará com que a sua atuação seja a desejada e precisará de mais quantidade para obter os efeitos pretendidos. Se o tomar sublingualmente (sob a língua), contudo, este é absorvido pela membrana mucosa e atinge diretamente o seu sistema.
Fumar o CBD
Fumar o CBD beneficia de uma biodisponibilidade muito mais alta quando comparado com outros métodos de consumo. A biodisponibilidade é um conceito importante porque é um indicativo de quanto, e quão rápido, o CBD atinge a sua área alvo — a corrente sanguínea.
Neste caso, o CBD ativo atinge a corrente sanguínea muito mais rapidamente graças às capilaridades presentes nos nossos pulmões. Assim sendo, poderá sentir os efeitos decorridos apenas 15 minutos, mas a contrapartida é que os seus efeitos não durarão tanto tempo como os efeitos dos comestíveis ou óleos CBD.
As estirpes de canábis ricas em CBD, como é óbvio, também contêm uma variedade de outros canabinoides, terpenos e flavonoides. Não só tirará partido dos potenciais benefícios do efeito entourage, como também sentirá uma gama diversa de paladares e aromas.
Vaporizar o CBD
Desde que invista num vaporizador decente, a vaporização tem alguns benefícios significativos quando comparada com fumar o CBD. Em primeiro lugar, os vaporizadores não queimam aquilo que está a fumar, portanto, reduz o risco de inalação de substâncias prejudiciais para os seus pulmões.
Finalmente, a biodisponibilidade da vaporização é tão boa quanto a do CBD para fumar (podendo ser inclusive superior), e as pessoas tendem a colocar menos questões se sacar de um vaporizador do que se sacar de um charro.
Comestíveis de CBD
Os comestíveis de canábis podem ter começado como bolachas e brownies, mas, hoje em dia, estes são apenas um dos muitos comestíveis disponibilizados. Este interesse pelos comestíveis também não se deve ao acaso. Os canabinoides como o CBD têm um sabor natural e, embora não seja mau per se, o mesmo não é apreciado por todas a gente. Fazer comestíveis infundidos é uma forma útil de mascarar o sabor sem abdicar dos benefícios.
O consumo de comestíveis também altera a forma de sentirmos os seus efeitos. O início é retardado (demora até uma hora), mas os efeitos duram muito mais tempo. Isto torna-os ideais quando não pode consumir rapidamente o CBD e precisa de um alívio mais prolongado.
Inalar o CBD
Precisará de um bongo e de mais alguns utensílios a condizer, mas a inalação é a derradeira experiência para os utilizadores veteranos. Dizemos derradeira, porque fornece uma dose altamente concentrada que não é recomendada para novatos.
Ao vaporizar rapidamente o concentrado de CBD (isolado , cera e shatter ), sentirá efeitos incrivelmente pronunciados em meros segundos. Andar com um bongo atrás de si não é, de todo, conveniente mas, para alguns, a potência valerá bem a pena o incómodo.
Extratos e Sprays de CBD
Os extratos são muito similares aos óleos CBD, mas toma-os sublingualmente.
Os suplementos tomados sob a língua não têm de lidar com o nosso sistema digestivo. Ao invés, estes entram na corrente sanguínea diretamente graças a pequeníssimas capilaridades na boca. Caso precise de um alívio rápido, os extratos de CBD surtem efeito decorridos uns meros 15 minutos.
Podemos dizer o mesmo relativamente aos sprays de CBD. O interior do seu nariz contém centenas de pequenos vasos sanguíneos, por conseguinte, o CBD tem uma rota direta para a sua corrente sanguínea.
Também é possível encontrar extratos de CBD numa variedade de sabores, tornando-os um pouco mais apelativos do que os óleos. Não obstante, ficará a perder nos benefícios secundários oferecidos pelos óleos transportadores, portanto, a decisão resume-se às circunstâncias pessoais e àquilo que é mais adequado para si.
Tópicos , Adesivos Transdérmicos e Supositórios de CBD
Os tópicos de CBD são muito simples de utilizar (esfregue-os simplesmente na pele) e adequados para todos os tipos de pele. Ao invés de entrarem na corrente sanguínea, os ingredientes ativos focam-se unicamente nos recetores a nível local, ajudando a suavizar, hidratar e a proteger a pele.
Os adesivos transdérmicos vão um pouco mais além. Ao misturar o CBD com determinados medicamentos é possível que o canabinoide penetre na pele e entre na corrente sanguínea. Estes adesivos funcionam de forma idêntica aos adesivos de nicotina, fornecendo uma libertação lenta dos ingredientes ativos.
Se quiser levar a absorção ativa um pouco além dos adesivos transdérmicos, então pondere utilizar supositórios de CBD. Estes oferecem uma ingestão (potencialmente) maior de CBD, enquanto também permanecem incrivelmente discretos. Fica o aviso, contudo, de que a biodisponibilidade dos supositórios de CBD continua sob avaliação e não se sabe exatamente o quão eficazes são.
Como Dosear o CBD
Cada produtor de CBD no mercado fornece uma dose recomendada, mas estas não passam disso — recomendações. É essencial saber que não há uma dose ideal de CBD e a quantidade que deve tomar deve basear-se em fatores que incluem:
- Metabolismo
- Gordura corporal
- Potência do produto
- Problemas de saúde
Há, no entanto, algumas diretrizes gerais que pode seguir até encontrar a dose indicada para si.
- Comece por um óleo CBD de baixa concentração: opte por consumir um óleo de baixa concentração durante pelo menos duas semanas. Isto dar-lhe-á tempo para se habituar aos efeitos e lidar com quaisquer potenciais efeitos secundários.
- Tome o CBD uma ou duas vezes por dia: embora a maioria das recomendações afirmem “até três vezes por dia”, experimente uma ou duas vezes por dia no início. Uma vez mais, isto dá-lhe tempo para descobrir o que funciona melhor para si.
- Mantenha-se fiel à mesma rotina durante pelo menos duas semanas: o CBD surte efeito muito rapidamente, mas deixe decorrerem pelo menos duas semanas para se familiarizar com a sua rotina.
- Seja ponderado ao combinar os produtos de CBD: é totalmente possível combinar diferentes produtos de CBD, mas, uma vez mais, mantenha-se fiel à mesma rotina para que possa ajustar os efeitos em conformidade. Não há nada de errado em comer alguns comestíveis de CBD pela manhã e depois vaporizar uma flor de CBD durante a tarde.
- Fale com o seu médico: só podemos falar de uma forma geral, mas o seu médico de família pode dar-lhe aconselhamento específico para o seu caso. Se estiver a utilizar o CBD para lidar com uma doença em particular, o seu médico pode ter uma noção valiosa sobre a dose recomendada.
Microdosagem do CBD
A microdosagem é uma estratégia viável que funciona bem com o CBD porque contraria uma das suas principais desvantagens. Veja, o canabinoide tem uma meia vida muito curta (o tempo que permanece no corpo), portanto, o consumo regular é uma obrigatoriedade se quiser tirar o máximo partido da sua influência.
A chave para a microdosagem é tomar doses pequenas e frequentes. Todavia, tal como com a dosagem normal, terá de experimentar diferentes rotinas para descobrir qual a que funciona melhor para si. Se for conveniente fazê-lo, experimente dividir a sua toma diária em porções mais pequenas administradas ao longo do dia.
Serve para Animais de Estimação
Agora que já cobrimos o básico do CBD nos humanos, faz sentido voltarmos a nossa atenção para os nossos companheiros felídeos e canídeos. Porquê? Porque tal como nós, tanto os gatos como os cães têm um sistema endocanabinoide. Quer isto dizer que eles também podem sentir efeitos positivos.
A maioria dos dados relativos ao efeito do CBD nos animais de estimação é anedótica, mas há alguns estudos in-vivo a decorrer. Os efeitos possíveis aparentam ser similares aos verificados nos humanos.
Contudo, tenha cuidado; nem todos os produtos de CBD são adequados para animais de estimação. Tanto gatos como cães são muito mais sensíveis aos pequenos compostos encontrados no cânhamo (terpenos e flavonoides). Assim sendo, os produtos de CBD especificamente concebidos para animais de estimação não têm estes elementos para torná-los seguros para os animais.
O CBD é Legal?
A legalidade do CBD permanece um tema contencioso. Na maioria do mundo moderno, é legal comprar e utilizar , mas há restrições. Os produtos de CBD devem derivar do cânhamo e não devem conter mais do que 0,2% de THC (Europa). O limite legal é ligeiramente superior nos EUA (0,3%), mas já dá para ter uma ideia — as restrições variam consoante o local onde vive e é uma situação difícil de contornar.
Deve consultar as autoridades locais da sua zona de residência antes de experimentar o CBD. Na maioria dos casos, não haverá qualquer problema, mas não custa nada confirmar. Também deve obter a partir de um fornecedor de confiança, evitando quaisquer que não testem os seus produtos independentemente. Sem a confirmação do que contém exatamente cada lote , não saberá se há algum problema até que seja tarde demais.
Quer ler mais sobre THC?
CBD e THC são dois dos muitos canabinoides que compõem a erva cannabis ou maconha. Cada um dos dois tem seus diferentes efeitos, vantagens, propriedades medicinais.
Sobre maconha medicinal temos um artigo aqui, além de outros posts sobre CBD e THC.
Tenho mais perguntas sobre vaporizadores de ervas
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